Sóis (Sós)
O sol um dia apagará:
para que ter filhos, então?
A terra esfriará, sem luz e vida:
para que acordar toda manhã?
Nosso sistema, tudo que é ordem
desfaz-se lenta, silenciosamente,
num movimento de permanente expansão.
Há um trágico destino que nos aguarda,
Certo como este instante, mais certo
que as horas de nossas existências.
Para que respirar e prosseguir?
"Ah, doce bem!", respondes, "porque sóis há, como eu e tu,
feitos de amores à nossa volta! Porque o amor, absurdo,
Alimenta-nos, eternamente, de luz, sem jamais nos deixar sós!"
(Calo-me, ante tanta fé, e quebro o soneto, faço emenda.
Nada de mais forte, não há maior sorte, que contigo contar:
fecho os olhos e sinto teu calor, expando-me e sou.)

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