quarta-feira, 27 de maio de 2020

CASA ARRUMADA

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Casa arrumada  é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

O diário de Anne Frank

O diário de Anne Frank é um livro que já percorreu três gerações da minha família. Acho que é um livro incrível para ser lido nesta quarentena. Eu li pela primeira vez na adolescência, nunca esqueci da beleza do texto de Anne. Ainda tenho a versão que minha mãe me deu nos anos oitenta: amarelado, rasgadinho e com dedicatória .
Ele me serve de reflexão para os dias de hoje...parece tão atual.

Penélope 


segunda-feira, 4 de maio de 2020

Creme de Abacate, sabor de infância



Creme de abacate lembra minha avó. Nas tardes em família servia para os netos copos grandes. No quintal uma árvore majestosa fazia sombra em tempos de calor. Ao redor do abacateiro aprendemos a andar de bicicleta. Tudo desta fruta me encanta, a cor, o sabor, as folhas, a sombra e às lembranças de uma infância rica e sabores e amorosidade.

A árvore além de nos proteger nos alimentava. Achava aquilo tudo encantador. Vez ou outra eu abraçava o tronco e escutava os ventos que sopravam nas folhas, ele era gigante. Aprendi a amar a natureza e a protegê-la, o abacateiro do quintal dos meus avós foi meu primeiro mestre.
Penélope Basileia