sábado, 31 de março de 2012

Por Fernando Pessoa





"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!

É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!

É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!

É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!

É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?

A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;

As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,

Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."

terça-feira, 27 de março de 2012

Reflexões sobre a vida marinha

Hoje centenas de tartarugas entraram no mar pela primeira vez na praia de Intermares - PB. 
Minha filha perguntava se elas iam a procura da mãe...


Disse que as tartaruguinhas não conhecerão as mães, pois elas depositam os ovos e saem para 
mar.Percebi uma certa tristeza nos olhos da minha filha, afinal ela conhecia o conforto de ter família e para ela todos/as precisam ter o aconchego de uma mãe.


Olhou para o mar e desejou acolher as tartarugas como filhas/os respondendo a sua natureza maternal.

Poema de Alberes Mendonça

A concha



Ninguém sabe do mar
Contido na concha.
Tão puro e extenso
Esse mar,
Que para banhar-se
É necessário desnudar a alma
E os ouvidos.
Ninguém sabe dos barcos
Naufragados na concha.
Submersos,
No fundo,
No fundo
- Jazidos.
Ninguém sabe dos nascidos
Do mar
Na concha!
Pega uma e ouvirás
O infinito que ela carrega
- Escondido.