"Quem somos nós, quem é cada um de nós senão uma combinatória de experiências, de informações, de leituras, de imaginações? Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos, onde tudo pode ser completamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis."
Ítalo Calvinosábado, 21 de setembro de 2013
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
O Agrado de John Donne
O Agrado
de John Donne
Traduzido ao Portugues por Jonny Kahleyn Dieb (juhannusproductions.com)
Envie-me uns agrados, para dar vida a minha esperança
E que meus pensamentos atormentados durmam e descancem;
Envie-me um pouco de mel, para adocar minha colméia,
Para que em minhas paixões eu possa ter esperanca.
Eu nao requiro nenhum adorno feito pelas tuas propias mãos,
A tricotar nossos amores numa teia fantástica
De juventude redescoberta, nem um anel para dar satisfacao
Do nosso afeto, que, como é redondo e liso,
Assim, devem ser nossos amores na simplicidade;
Não, nem os corais, agarrrados ao teu pulso,
Atados juntos em congruência,
Para demonstrar a harmonia dos nossos pensamentos;
Não, nem o teu retrato, embora tao gracioso,
E tao desejado, porque é de todos o melhor
Nem prosas, que são tao a bundantes,
Nas escrituras que tens comunicado.
Envie-me nem isso nem aquilo, para dar-me mais vantagem,
Mas jura que tu pensas que eu te amo, e nada mais.
de John Donne
Traduzido ao Portugues por Jonny Kahleyn Dieb (juhannusproductions.com)
Envie-me uns agrados, para dar vida a minha esperança
E que meus pensamentos atormentados durmam e descancem;
Envie-me um pouco de mel, para adocar minha colméia,
Para que em minhas paixões eu possa ter esperanca.
Eu nao requiro nenhum adorno feito pelas tuas propias mãos,
A tricotar nossos amores numa teia fantástica
De juventude redescoberta, nem um anel para dar satisfacao
Do nosso afeto, que, como é redondo e liso,
Assim, devem ser nossos amores na simplicidade;
Não, nem os corais, agarrrados ao teu pulso,
Atados juntos em congruência,
Para demonstrar a harmonia dos nossos pensamentos;
Não, nem o teu retrato, embora tao gracioso,
E tao desejado, porque é de todos o melhor
Nem prosas, que são tao a bundantes,
Nas escrituras que tens comunicado.
Envie-me nem isso nem aquilo, para dar-me mais vantagem,
Mas jura que tu pensas que eu te amo, e nada mais.
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The Token
by John Donne
Send me some tokens, that my hope may live
Or that my easeless thoughts may sleep and rest ;
Send me some honey, to make sweet my hive,
That in my passions I may hope the best.
I beg nor ribbon wrought with thine own hands,
To knit our loves in the fantastic strain
Of new-touch'd youth ; nor ring to show the stands
Of our affection, that, as that's round and plain,
So shou ld our loves meet in simplicity;
No, nor the corals, which thy wrist enfold,
Laced up together in congruity,
To show our thoughts should rest in the same hold ;
No, nor thy picture, though most gracious,
And most desired, 'cause 'tis like the best
Nor witty lines, which are most copious,
Within the writings which thou hast address'd.
Send me nor this nor that, to increase my score,
But swear thou think'st I love thee, and no more.
by John Donne
Send me some tokens, that my hope may live
Or that my easeless thoughts may sleep and rest ;
Send me some honey, to make sweet my hive,
That in my passions I may hope the best.
I beg nor ribbon wrought with thine own hands,
To knit our loves in the fantastic strain
Of new-touch'd youth ; nor ring to show the stands
Of our affection, that, as that's round and plain,
So shou ld our loves meet in simplicity;
No, nor the corals, which thy wrist enfold,
Laced up together in congruity,
To show our thoughts should rest in the same hold ;
No, nor thy picture, though most gracious,
And most desired, 'cause 'tis like the best
Nor witty lines, which are most copious,
Within the writings which thou hast address'd.
Send me nor this nor that, to increase my score,
But swear thou think'st I love thee, and no more.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
O essencial é saber ver…
O essencial é saber ver…
Alberto Caeiro
Alberto Caeiro
O essencial é saber ver,
mas isso, triste de nós que trazemos a alma vestida,
isso exige um estudo profundo,
aprendizagem de desaprender.
Eu procuro despir-me do que aprendi,
eu procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram
e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
desembrulhar-me
e ser eu.
mas isso, triste de nós que trazemos a alma vestida,
isso exige um estudo profundo,
aprendizagem de desaprender.
Eu procuro despir-me do que aprendi,
eu procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram
e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
desembrulhar-me
e ser eu.
Fernando Pessoa
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e com os pés
E com o nariz e com a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Dias de chuva...
Quando era criança sonhava em ter uma sombrinha que fosse transparente com um barrado amarelo. As meninas ricas da escola possuíam uma, menos eu. Cresci vendo as sombrinhas transparentes nas mãos das meninas que desfilavam apressadamente na minha frente por causa da chuva e o impacto dela sobre aquele objeto do meu desejo.
Hoje, quando chove lembro das sombrinhas transparentes que tanto desejei e me pergunto porque não resolvo isso. Talvez queira ter nostalgia daquele momento tão íntimo...
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