quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Trecho de entrevista com Picasso


Trecho de entrevista com Picasso:
- "Por que vc dança?
- N há um 'porquê', eu danço.
- Vc é um artista plástico que dança?
- Sim, ou um dançarino q pinta, o q vc preferir.
- Desde qdo vc dança?
- Desde sempre.
- No q vc pensa qdo dança?
- Eu n penso, eu sinto.
- Sente o quê?
- Amor.
- Amor?
- Sim.
- Mas, por quê?
- N há um porquê para o amor.
- Sente algo mais?
- Vida.
- Como assim?
- Alguns, apenas alguns, fazem nesta terra aquilo para o qual foram criados. Esses vivem. Outros sobrevivem... Quem dança, vive.
- A dança é algo essencial?
- Respirar é essencial? Respondi sua pergunta primária?
- Mas há um preço por essa escolha...
- Por dançar? Sim, há.
- É caro?
- N importa.
- Vc pagou este preço?
- Ainda pago.
- Vc deve dançar para alguém...
- Tb, quero dizer, n só pra alguém ou por alguma razão. Vc dança porque nasceu para dançar, assim como pinta porque os quadros já existem dentro d vc, vc apenas os liberta...(...) Uma formiga faz seu trabalho sem questionar, pássaros voam sem questionar, peixes nadam... homens, alguns matam, outros preferem fazer aquilo para o qual foram criados: AMAR. Eu danço, pinto , amo.
- Vc dança sempre?
- Só qdo amo.
- Qdo vc ama?
- Qdo danço.
- Quer dançar comigo?
- N sei, n sei se tenho coragem... tenho medo.
- Entendo, eu assusto mesmo, eu danço."

(Roubado de Luiz Gustavo)

Alice Carroll

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

O Elefante

 

Quando eu era criança, minha avó me contou uma fábula dos cegos e o elefante.

Três cegos estavam diante do elefante. Um deles apalpou a cauda do animal e disse:

-É uma corda.

Outro acariciou uma pata do elefante e opinou:

- É uma coluna.

O terceiro cego apoiou a mão no corpo do elefante de adivinhou:

- É uma parede.

Assim estamos: cegos de nós, cegos do mundo. Desde que nascemos, somos treinados para não ver mais que pedacinhos. A cultura dominante, cultura do desvinculo, quebra a história passada com quebra a realidade presente; e proíbe que o quebra-cabeças seja armado.

Eduardo Galeano(1990)


                                      Foto: Pinterest





domingo, 7 de fevereiro de 2021

O amor como fermento de Ressurreição

 

O amor como fermento de Ressurreição

O amor perfeito não é aquele que ama a todos e a tudo por causa de Deus (propter Deum) ou em Deus (in Deo), mas aquele que a tudo e a todos ama porque descobre a amabilidade de tudo e de todos como presença concreta do próprio amor de Deus.

A Graça Libertadora no Mundo

Leonardo Boff


pinterest.com


O mundo - Eduardo Galeano

 O mundo


Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

Eduardo Galeano O Livro dos Abraços.
Foto: pinterest.com

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Fragmento: Ler, escrever e fazer conta de cabeça.

 

“A casa ficou maior e cheia de silêncio. Tudo parecia se esforçar para não acordar quem deveria dormir por toda a vida. O vazio ocupou, tanto, o quarto da minha mãe que meu pai dormia na beiradinha da cama, como se empurrado pelo novo morador. E o vazio não nos deixava tocar em nada. Tudo – o santo da parede, latas de talco, vidros de perfume, caixinhas de desmazelos, imagem na beira da cabeceira – tudo ficava no mesmo lugar por exigência do vazio. No nada cabe tudo. Até a poeira marcava a retirada de qualquer pertence”.

Bartolomeu Campos de Queirós