sexta-feira, 10 de julho de 2020

Despedida ao grande maestro Morricone.




Sim, Maestro Morricone!
É hora da partida.
Até o último instante você foi magistral.
Deixou uma carta de se despedindo de quem amou.
Como não chorar com sua partida?
Todos os melhores filmes que assisti tinha a sua
música de fundo para nos emocionar.
Se existe uma energia superior, ela fala a partir de
sua música.
Melodia que nos faz acreditar que estamos em outra
dimensão. Em um mundo perfeito, sem sofrimento, só uma beleza
estonteante.
Que venham todos os sons produzidos por sua imensa bondade.
Não precisa de palavras, os sons se misturam com nossos
mais profundos sentimentos e um fusão intensa de emoções
que nos embriagam de lembranças diversas.
Quem observa você regendo, imagina que você parte para outra
dimensão, em estado de graça e perplexidade pela beleza do
só você é capaz de criar.
Obrigada por permanecer na minha vida por trinta e quatro anos, tempo
suficiente para saber o que a música pode fazer por nós.
Até o seu último momento de vida manteve extraordinária lucidez e dignidade.
Estou aqui de pé aplaudindo seus 91 anos de existência.
Você eternizou o Oboé de Gabriel,
O Tema de Deborah,
Cowboys,
O vento, o choro,
O cinema paradiso,
Malena,
Tantos outros personagens,
A Itália.
Meu muito obrigada!
Bravo!

Penélope

09.09.2020 (Pandemia)


Foto: Pinterest


quinta-feira, 9 de julho de 2020

Um jardim

Um jardim
no fim
do mundo:
dá-me, amor,

no deserto
um oásis,
fértil,
E estarei

aberto
a ti, a mim,
a tudo.
Recanto

quieto
e eu, canto
a flor
e teu calor!

Bruno Catuniensis

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Pela fresta


Pela fresta
Conseguimos ver o paraíso.
Um oásis em tempos tão duros.
Vontade de seguir meu desejo de encantamento
e mergulhar nessa imensidão azul.
Lavar o corpo com água salgada e receber a cura de águas tão mornas.
 R-E-S-P-I-R-A-R a brisa marinha e receber sol de final de tarde.
Um corpo despido, entregue nesse movimento de idas e vindas das ondas.
Pela fresta, sinto que a vida ainda continua
e penso nas vidas que habitam nessa imensidão azul.
Cores, formas, suavidade... respiro e agradeço por elas e pela provisória liberdade.
Um dia, quem sabe, estarei lá para sentir a vida em mim.

(ouvindo o som dos pássaros e a alegria deles em final de tarde).

Penélope 


Quando uma luz se apaga



Quando uma luz se apaga,
Fica nos olhos a memória
Da chama que a acendeu:
Assim é com a vida
De quem se amou e partiu.

Fica na memória, como vela
Que só se consome
Quando a cera do tempo acaba
E o amor que a sustentava
Evapora-se. Por isso, alma

Pensa-se haver: é tão etérea
A bem guardada doçura
Da imagem que se perdeu
Que não se ousa esquecê-la
Por medo da noite escura...

Bruno Catuniensis

07 de julho de 2020,
ouvindo a da sonata em ré menor, K32,
de Domenico Scarlatti,
interpretada por Maria Tipo

terça-feira, 7 de julho de 2020

Te quero (Mario Benedetti)


(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

Tuas mãos são minha carícia
Meus acordes cotidianos
Te quero porque tuas mãos
Trabalham pela justiça
Se te quero é porque tu és
Meu amor, meu cúmplice e tudo
E na rua lado a lado
Somos muito mais que dois
Teus olhos são meu conjuro
Contra a má jornada
Te quero por teu olhar
Que olha e semeia futuro
Tua boca que é tua e minha
Tua boca não se equivoca
Te quero porque tua boca
Sabe gritar rebeldia
Se te quero é porque tu és
Meu amor, meu cúmplice e tudo
E na rua lado a lado
Somos muito mais que dois
E por teu rosto sincero
E teu passo vagabundo
E teu pranto pelo mundo
Porque és povo te quero
E porque o amor não é auréola
Nem cândida moral
E porque somos casal
Que sabe que não está só
Te quero em meu paraíso
E dizer que em meu país
As pessoas vivem felizes
Embora não tenham permissão
Se te quero é porque tu és
Meu amor, meu cúmplice e tudo
E na rua lado a lado
Somos muito mais que dois.
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

"Paraíso perdido"



Ainda bem que há céu
Ainda bem que há sol
Ainda bem que a atmosfera
é redonda como a terra
e nos alimenta com seu ar.
Quanto tempo haverá
antes que percamos,
de novo, o paraíso?

Bruno Cartuniensis

Quase-lua

Há uma quase-lua
em minha janela.
Primeiro, nasceu do mar.
Depois, passou por teus olhos.
À minha cabeça,
neste suave fim de tarde,
já chegou: mas a meus olhos
ainda não. É preciso
uma janela para abrir
meus olhos à lua, que quase
por um tantinho assim,
não me alcançou...

Bruno Cartuniensis


Soul


Se lua fosse alma

Se lua fosse alma
Seria mais fácil
Sabê-la: cheia,
Crescente, minguante
Ou mesmo nova,

Visível seria ela
- mesmo na escuridão,
Quando a lua,
Como a alma, esconde-se
Dos crentes e dos sem fé.

Se lua fossa alma,
Seria redonda,
Mais parecendo bolacha,
Ou hóstia, ou parte
Da Terra que já foi um dia.

A minh’alma flutua
Imensa, imersa em nuvem,
Toda vez que vê o céu
Enorme, azul, aberto,
Em minha amada janela...

Bruno Cartuniensis


Sarabanda (do inverno)

Bruno Cartuniensis

Gosto do inverno...
Ele permite
Ver os céus
Ao meio-dia.

Os dias são
Mais incertos,
Ou curtos, alguém diria.
Tanto faz:

Ao som
Dessa sarabanda
De Bach,
Tudo fica deserto,

Tudo fica
Em paz...
As gotas
Da chuva,

Ao vento de julho,
Possuem os galhos
As folhas, os braços
Das árvores:

Umas parecem
Imóveis, outras
se retorcem,
conforme o lugar...

Beleza, decerto,
Não se prende
A um só
Compasso...
05 de julho de 2020

(Ouvindo a sarabanda
da suíte francesa nº 2,
em dó menor, BWV 813)