sexta-feira, 25 de março de 2016

Fragmento do Livro de Ana







Entre o adeus do sol e o boa-noite da lua. Ana se assentava com o livro aberto sobre os joelhos. Nesta hora, um sossego mora no céu e visita a vida. Não há tristeza. Anjos voam acendendo estrelas. Só o silêncio vê. E eles cantam. A canção é leve, acompanhada de flauta, violino e cítara. Só o coração escuta. Mas Ana, por respirar a emoção da leitura, tudo via e tudo escutava. Ao ler, também se vê e se escuta.
...
Ao ler, o olha de Ana nadava em luz. Sua boca sorria confiança. Com gestos delicados, a Mulher passava as folhas do livro com delicadeza de quem toca harpa. Maria, sem conhecer aquele alfabeto, tentava adivinhar o que andava escrito nas linhas do livro. É que, ao ler, Ana parecia mais leve que a paz, mais mansa que o algodão. E Maria, que tudo olhava, sonhava escutar o que encantava Sua amiga.

O livro de Ana - Bartolomeu Campos de Queirós