terça-feira, 11 de agosto de 2020

LIMITES DO AMOR


Condenado estou a te amar

nos meus limites

até que exausta e mais querendo

um amor total, livre das cercas,

te despeça de mim, sofrida,

na direção de outro amor

que pensas ser total e total será

nos seus limites da vida.


O amor não se mede

pela liberdade de se expor nas praças

e bares, em empecilho.

É claro que isto é bom e, às vezes,

sublime.

Mas se ama também de outra forma, incerta,

e este o mistério:


- ilimitado o amor às vezes se limita,

proibido é que o amor às vezes se liberta

Turismo

 


Affonso Romano de Sant´Anna

 

Não me diga que essa é uma cidade

que não se oferece

que é preciso descobri-la

aos poucos

com amor e paciência.

 

Não tenho tempo, quero uma cidade

 que se entregue inteira, descabelada,

 luminosamente sorridente

que vá abrindo-se as vielas

entregando-me praças

sem que eu tenha que a seduzir

ou agir

como quem desmonta um muro de pedras.

 

Viajante intempestivo

estou pronto para as cidades

que se dão inteiras.



sábado, 8 de agosto de 2020

Fragmentos do belo.

 

O que sobra neste final do dia?

Olhar o céu e achar a beleza das formas que flutuam

pacientemente.

 

Em tempos tão duros, ainda posso surpreender-me

com imagens do nosso possível.

 

Este azul infinito,

a tonalidade do alaranjado, do branco,

do cinza.

 

Contemplar o belo, o inusitado.

Ver é olhar além.

Penélope 


Ouvindo The Rose

Ola Gjeilo

The Choir of Royal Holloway,12

Ensemble