Todo o mês de janeiro leio um livro de Amyr Klink, há que não considere os livros dele literatura literária, eu acho uma ótima leitura, aprendo muito sobre o mar, sobre limites, ecologia e enfrentamento da solidão.
O último que li foi “Não há tempo para perder”, na p.129 ele escreve assim:
Já passei por muitas crises. Não apenas em alto mar. Como tudo mundo vivi situações de intensa tristeza, ou períodos mais prolongados de dificuldades financeiras, enfrentando problemas pessoais e familiares. São nesses momentos de extremas agonia que é mais difícil e necessário não perder o controle da situação. Ao tentar sair da crise podemos aguçar nossa criatividade. Existem inúmeros exemplos de surtos de criação artística, científica, em momentos de opressão econômica ou política, como nos anos 1970, quando a música popular brasileira deu um salto de inovação para superar a censura imposta pela ditatura militar. Em momentos terríveis, em que você precisa inventar uma solução, você inventa.
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Ah, mas é preciso muito equilíbrio emocional para superar a crise, todo mundo fala e nos perguntamos também. Ainda mais quando enfrentamos a ruína das instituições de um país, seus valores morais e institucionais, se desequilibrando, caindo aos pedaços. Não acredito na eficiência de uma artificial preparação para obtenção desse equilíbrio emocional – você o adquire, na verdade, preparando-se de forma consistente e objetiva para os problemas que sempre estão por vir. Pode ser que se surpreenda encontrando capacidades que nunca imaginou ter.
Qual a capacidade que encontrou durante este tempo de pandemia?

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