Dai-me um roteiro que eu, senhora, siga,
a vosso bel-prazer feito e cortado,
que por mim há-de ser tão respeitado,
que nem num ponto só dele desdiga.
Se vos apraz que eu morra, e que a fadiga,
que me punge, a não conte, eis-me finado!
Se preferis que em modo desusado
vo-la narre, eu farei que Amor a diga.
De substâncias contrárias eu sou feito,
de mole cera e diamante duro;
às leis do amor curvar esta alma posso.
Brando ou rijo, aqui tendes o meu peito,
engastai, imprimi a sabor vosso!
Tudo guardar eternamente eu juro.
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Soneto - Cevantes
SONETO
quarta-feira, 15 de novembro de 2017
Um dia
Um dia, a cada dia, seremos
-somos- um rio.
Corre o fluxo leve e delicado
dos sons do órgão e do violino:
quem diz haver mais beleza
que ouvi-los enquanto
a tarde passa e o sol se abaixa
trazendo a noite?
Liberdade
"O sol doura sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa."
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa."
Um trechinho de "Liberdade", de Fernando Pessoa.
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