segunda-feira, 25 de março de 2019

Um país multiétnico

Uma das alegrias maiores em ter participado de uma Rede de Leitura foi a oportunidade de conhecer gente que vive a devoção de amar a literatura literária, além de conhecer de perto um pouco da produção de escritores(as) brasileiros(as). Um dos escritores que me impressionou foi o  Daniel Munduruku,educador indígena.

Pergunto como ser indiferente diante de uma constatação que parece ainda ser realidade no século XXI ?

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O Brasil é um país multiétnico desde seu princípio. No século XVI, neste solo, viviam difentes culturas, quando aportaram os invasores trazendo ganância e cruz. Eram mais de mil povos, segundo alguns, mais de cinco milhões de pessoas, de acordo com outros. Falavam-se cerca de novecentas línguas diferentes.

Muitos dos povos daquele tempo não existem mais. Foram devorados pela espada, pela ganância e pelo preconceito. Alguns se esconderam no meio da multidão que ser formou do encontro, nem sempre amoroso, entre homens e mulheres de diferentes cores. Outros fugiram para a floresta e guardaram enquanto puderam sua memória e suas tradições.

Hoje, ainda há diversidade cultural e linguística no Brasil. Há 230 povos e 180 línguas que se mantêm vivos, para desespero dos que pretendem depredar ou piratear a riqueza contida no solo e subsolo brasileiros. São povos que querem sobreviver com dignidade, procurando assegurar uma vida plena para seus filhos. Desejam para si o mesmo que seus avós desejavam: paz para andar sobre a terra, sem deixar marcas de sua passagem.

Texto apresentado no Congresso Internacional Para leer el XXI - Havana/Cuba - 2007.
Daniel Munduruku (apoio do Ministério da Cultura)


 Fonte:  Edelbra Editora



domingo, 3 de março de 2019

Tenho tanto sentimento

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa  que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa