Sobre Escritas e Madrugadas...
Escrever é mutilar-se com caneta... Engana-se quem se deixa levar pelo preto ou azul das escrituras, elas têm é a cor de sangue, a não ser que seja farsante aquele que escreve.
Escrevendo eu escancaro minhas feridas, na esperança de aplacar o implacável: essa dor de ser que me habita.
Sim, tens razão, é só nas madrugadas que eu escrevo. Eu até que sei escrever de dia, mas de dia o que me falta é aquilo que, nas madrugadas, em mim transborda.
Podes crer, você é a primeira pessoa a quem confesso, a primeira e última: minha maior sofrência, é essa dor-mar.. Essa dor-tempestade que em noturnas horas me despedaça todo, lançando-me aos quatro ventos…
Exausto, procuro me valer do que me resta, e o que me resta, nessas horas, é pouco: é só a escrita.
Escrevendo, eu vou catando os pedaços de mim próprio… É pra me refazer que eu escrevo.
Espero que saibas guardar bem este segredo… Agora somos cúmplices.
Texto e foto: Marcelo Saturnino da Silva.

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