Foram cancelados os concertos por todo o mundo.
Perdemos as apresentações de
março de 2020 que seriam executadas
pela OSUFPB.
Não ouvimos Mozart, Haydn, o
romantismo de Puccini, Liszt, Tchaikovsky, Krieger.
Brahms e Mendelssohn foram os
últimos a terem suas composições tocadas...
Nossos planos de um ano musical
se tornaram possíveis apenas virtualmente.
O cheiro do breu que é passado
nos arcos dos instrumentos de cordas
deixou de exalar.
Os acordes nervosos dos músicos
afinando os seus instrumentos
antes de iniciar as apresentações
cessaram.
Onde haveria música, há silêncio.
Um silêncio que nos impressionou.
As poltronas vermelhas da Sala de
concerto Radengundes Feitosa
se tornaram vazias de uma plateia
apaixonada, que esperava ansiosamente
o próximo espetáculo.
Os instrumentos de sopro,
percussão se calaram...
Os aplausos da plateia e o
sorriso no rosto não ocuparam aqueles lugares.
Escutamos a frase:
“Não podemos respirar!”
Silêncio
Neste momento houve
respeito à dor que circulou nos quatro cantos do mundo.
Que música poderia representar
este momento?
O “Inverno” de Vivaldi, ou
O “Largo ma non tanto” do
concerto para dois violinos de Bach.
Pergolesi em “Sabat Mater
dolorosa”.
"Misere mei, Deus!", Allegri
suplica por meio de sua música.
“Tende piedade de mim, Deus!”.
Tende piedade de nós!
Alonso Lobo, a partir da
“Versa est in luctum”, retrata a nossa dor.
“Minha harpa voltou-se ao luto
e minha flauta à voz dos que choram.
Apiedai-vos de mim, Senhor,
pois como nada são os meus dias”.
Réquiens me vêm à cabeça.
Mozart nos comove com tamanha
beleza.
“Diante de ti toda carne
comparecerá
Repouso eterno dá-lhes, Senhor
Que a luz perpétua os ilumine
Senhor, tem piedade!”
Perdemos Ennio Morricone em
tempos tão duros.
Como expressar a perda de um dos
nossos maiores compositores?
Nunca esqueceremos do seu Cinema
Paradiso.
“Se você estivesse em meu coração
apenas por um dia
Você poderia ter uma ideia
Do que eu sinto
...
Respiramos o mesmo ar”
O papa, na Praça vazia, lembrou:
"Estamos todos no mesmo barco,
ninguém se salva sozinho"
Aconteceu um silêncio obsequioso de quem sofre uma dor mundial.
Fez-me lembrar da música “O navio de Bayonne”.
Alaúdes, tambores, percussão, charamelas, flautas,
vielas
e vozes se unem.
“No grande navio de Bayonne”,
“O vento do norte subiu,
Arriscando destruir a vela grande,
Grande Deus, que horrível tormenta!
Metade de nós estava chorando,
Os outros cantavam louvores.
Que Deus tenha piedade de nossas almas,
Porque a morte é quase certeza.
Nós recebemos um golpe de mar,
...
No fundo do nosso navio,
É hora de jogar os botes,
Para chegarmos todos a um bom porto,
O capitão deu um passo à frente,
Coragem, minhas crianças, coragem!
Para que nosso navio passe por isso.
Rezas foram feitas
Que salvaram suas vidas”.
Que outras composições lembram este tempo de trevas
e escuridão?
Que devir poderá surgir?
Queremos a “Primavera”, de Vivaldi.
Sons que nos enchem de cores a vida.
As flautinhas e violinos de “Brandenburg no 1.
Ritmo quase que frenético de sopros e cordas.
O violino decidido da “Passacaglia” de Handel,
pressupõe resistência e luta.
Ou quem sabe a “Ode a Alegria”
da 9ª sinfonia?
“Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado”
O início dos pizzicatos das “Bachiana n°
5” anuncia o surgimento da recuperação
e a esperança da população ainda atormentada.
Ou o intrigante “Uirapuru” de Villa Lobos,
que nos desperta afirmando: a natureza se regenera após um tempo
de silêncio e enclausuramento!
Uirapuru, Uirapuru!
“A mata inteira fica
muda ao seu cantar
Tudo se cala para
ouvir sua canção”
Precisamos respirar e iniciar tudo novamente.
Tocar o oboé de “Gabriel” de Morricone.
Instrumento de sopro,
ensina-nos que a música deve ser
contínua,
densa,
capaz de tocar os mais profundos sentimentos e
trazer esperança à plateia extasiada,
Inspiração a partir da música
La Navire de Bayonne - canção tradicional
francesa do século 18
Le Navire de Bayonne

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