terça-feira, 29 de março de 2022

9o par de cartas - Ruth Vasconcelos

[...] tivemos a presença de dois jovens integrantes do Movimento Nacional de Moradores de Rua, além de mim e de um francês com formação em Psicologia Política. [...]Uma das lideranças da Rua retornou o tema afirmando que a maior violência que vivencia no espaço público é a indiferença e o não-reconhecimento dos transeuntes que, geralmente, são tratados com desamor e desafeto. Este, que ficou órfão desde os 3 meses de idade e foi criado num orfanato até os 14 anos, momento em que foi morar na rua, afirmou ser uma pessoa muito afetuosa, mas que não podia receber nem dar este afeto no espaço da rua porque sempre é visto como uma pessoa perigosa, como um mendigo que suja e enfeia as ruas; portanto, que precisa ser expurgado da cidade. Num gesto quase poético, fez a seguinte reflexão: "A rua não tem portas. Eu não tenho casa, mas se tivesse, minha casa não teria portas; pois para mim as chaves são formas de poder que eu não tenho vontade de excercer". pág 163

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