quarta-feira, 28 de julho de 2021

Coragem e liberdade

Descobri que a aba que protegia a caixa de correios servia para me impulsionar a subir no muro da casa. Quando precisava chegar um pouco mais tarde, deixava a porta da biblioteca aberta, subia pela aba da caixa dos correios e subia no muro, depois alcançava o telhado da garagem que dava acesso a varanda da biblioteca. Literalmente, conseguia minha liberdade por meio do muro, da caixa dos correios e a porta da biblioteca. Papai colocava um sininho na porta para despertar descobrir que horas eu chegava em casa, às vezes, eu amarrava o sininho e ele descobria. Ele não dizia nada e eu muito menos. Quando se tem uma matriz indígena, não brigamos, apenas não obedecemos. Tudo isso para ficar um pouco mais com xs amigxs e burlar o horário determinado para minha chegada que nunca poderia passar da meia noite. Depois fotografo para vocês terem ideia da minha ousadia. É muito difícil ser mulher, se era na minha geração, imagina na geração da D. Lourdes. Ana Raquel França

Nenhum comentário:

Postar um comentário