“A casa ficou maior e cheia de silêncio. Tudo parecia se esforçar
para não acordar quem deveria dormir por toda a vida. O vazio ocupou, tanto, o
quarto da minha mãe que meu pai dormia na beiradinha da cama, como se empurrado
pelo novo morador. E o vazio não nos deixava tocar em nada. Tudo – o santo da
parede, latas de talco, vidros de perfume, caixinhas de desmazelos, imagem na
beira da cabeceira – tudo ficava no mesmo lugar por exigência do vazio. No nada
cabe tudo. Até a poeira marcava a retirada de qualquer pertence”.
Bartolomeu Campos de Queirós

Nenhum comentário:
Postar um comentário