sábado, 9 de janeiro de 2021

Silêncio (ou Do dever da escrita)

 


Quantas vidas se passaram

Em silêncio? Tantas e mais tantas

Que delas é feito o tempo.

 

Pequenos grãos, pedrinhas

Que se apagam, mas fazem

Juntas a estrada. Cascalhos

 

Que se tornam leito

De imenso rio de histórias.

De silêncios aprendo

 

Lentamente a explorar

A beleza que se desfaz

Caso eu fale. Mas é preciso,

 

Ao menos, escrever,

Para conseguir fotografar

O átimo de fogo no tempo

 

Que me consome.

Se eu as tiver mostrado,

Evocado, comunicado,

 

Serei, com elas, vida,

Sentido, rio, instante,

Pedregulho, silêncio.

B.C.

07 de janeiro de 2021,

ouvindo Ludovico Einaudi

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