quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Soneto - Cevantes

SONETO

Dai-me um roteiro que eu, senhora, siga,
a vosso bel-prazer feito e cortado,
que por mim há-de ser tão respeitado,
que nem num ponto só dele desdiga.
Se vos apraz que eu morra, e que a fadiga,
que me punge, a não conte, eis-me finado!
Se preferis que em modo desusado
vo-la narre, eu farei que Amor a diga.

De substâncias contrárias eu sou feito,
de mole cera e diamante duro;
às leis do amor curvar esta alma posso.

Brando ou rijo, aqui tendes o meu peito,
engastai, imprimi a sabor vosso!
Tudo guardar eternamente eu juro.

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