domingo, 1 de maio de 2016

Trabalhadores - Sebastião Salgado

Sebastião Salgado, sobre a exposição trabalhadores:
...Em Java, num pequeno paraíso natural, vi homens percorrerem mais de cinquenta quilômetros a pé, ida e volta, cruzando plantações de arroz, de cravo-da-índia e uma floresta tropical antes de subirem a 2300 metros de altitude, e descerem seiscentos metros vulcão abaixo, do outro lado. Eles entraram na cratera do vulção Kawah Iddjen, grande produtor de enxofre. Devido às emanações tóxicas - verdadeiras nuvens de veneno - , não se podia respirar pelo nariz, apenas pela boca. A única proteção daqueles trabalhadores era o pedaço de pano que colocavam na boca; com o passar do tempo, seus dentes ficavam arruinados. Cestos de setenta ou 75 quilos de minério eram preenchidos por homens que não chegavam a pesar sessenta. Eles fixaram dois cestos em cada ponta de uma vara de bambu e subiam os seiscentos metros que os separam da saída da cratera. Levavam cerca de duas horas nessa subida, depois desciam a encosta do vulcão correndo, caso contrário o peso dos cestos os esmagaria.Era extremamente perigoso. Alguns deslocavam a rótula. Na época, recebiam 3,50 dólares por trajeto. Precisavam para dois dias para se recuperar fisicamente e, no fim do mês, recebiam apenas o suficiente para sobreviver.
Livro: Da minha terra à Terra - Sebastião Salgado
pg. 68,69

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