Pensando sobre o que Bauman escreveu:
Um único ato de crueldade tem mais possibilidade de atrair
para as ruas uma multidão de manifestantes que as doses monotonamente
administradas de humilhação e indignidade a que os excluídos, os sem-teto, os
degradados são expostos dia após dia. Um ato iníquo de homicídio ou uma
catástrofe ferroviária atinge as mentes e os corações de forma mais poderosa
que o tributo gotejante, porém contínuo e rotineiro, pago pela humanidade na
moeda de vidas perdidas ou desperdiçadas diante do monstro da tecnologia e do funcionamento
impróprio de uma sociedade cada vez mais
blasé, insensível, indiferente e
despreocupada, já que consumida pelo vírus da adiaforização.
Em outras palavras, uma catástrofe prolongada abre o caminho
de sua própria continuação destinando o choque e a indignação iniciais ao
esquecimento, e assim enfraquecendo e fragilizando a solidariedade humana em
relação a suas vítimas – e portanto minando a possibilidade de que se unam
forças com o objetivo de evitar que haja outras vítimas no futuro.

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