Fragmento do Livro de Bartolomeu Campos de Queirós, "O livro de Ana".
(Papagaios- MG, 25 de agosto de 1944 - Belo Horizonte, 16 de janeiro de 2012)
Maria, ainda menina e sem conhecer as letras, brincava de pensar as flores antes do nascimento. Imaginava o mel na doçura dos voos das abelhas. Sonhava a música na garganta dos pássaros. Outras vezes, Maria olhava para o depois do horizonte, sem medo do eterno. Ela desconhecia o tamanho do infinito, mas sabia do milagre colorindo até as asas da borboleta. Em segredo, a Menina via o mundo como um indecifrável mistério.
Enquanto Maria brincava de pensar, os olhos de Ana decifravam o caminho que as letras diziam. Como uma fila de pequenas formigas buscando o açúcar, também as palavras trazem chaves. Destrancam destino, abrem história, libertam direções. E mais, fazem brotar a primavera mesmo se o tempo é de inverno.

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