Nunca fui invejosa ou mesmo ciumenta, penso que sejam sentimentos pobres para mim, mas tenho inveja de pequenas coisinhas quase sem importância que as pessoas possuem, como: flores na varanda, livros raros, canetas antigas, sinete, carimbo personalizado, coleção de selos,retratos branco e preto com dedicatórias. Ainda bem que caneta de pena com tinteiro ganhei da minha irmã há alguns anos e isto me alivia uma a menos.Talvez eu seja vintage!
Talvez essas pequenas invejas sejam pelo hábito ter tido diários e sempre escrevi longas missivas em papel de seda branco e envelope pardo especialmente encomendado. Começou com uma tia querida que foi morar no interior,depois namoradinhos de adolescência, prima de uma avó, uma monja carmelita, amigas que moravam longe, um engenheiro, um estudante de psicologia, jesuítas e por último Edson que escrevia muito bem e que arrebatou meu coração com lindas cartas de amor. Hoje, não existe mais um hábito tão fino e requintado, a tecnologia venceu e nos fez ser mais ágeis e "líquidos".Nesses tempos digitais a alegria não é mais a mesma, pois de fato, gosto de papéis e do barulho que fazemos quando abrimos uma carta de papel de seda. Tem ideia da maravilha do barulhinho que faz?
É a vida, temos que seguir em frente e acalentar saudades de pequenos hábitos. Digo que eram tempos divertidos.
Estou tentando escrever para mim mesma no meu blog desatualizado, mas que tem recortes das coisas que percebo no mundo, talvez minha janela da alma pedindo emprestado o termo ao Da Vinci. O facebook me põe medo e detesto a sensação de ser vigiada por pessoas tão diferentes.
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